terça-feira, 28 de março de 2017

UM POUQUINHO DE TODOS NO UNIVERSO DE CADA UM


No botequim da esquina,

Véio Venâncio, numa só talagada,

Desse a mais pura cachaça

Que ele conhece desde os doze.



“Dizem que me viciei...

Mas qual ‘lucidez’ é a correta?

Já vi muita gente caminhando...

A maioria sem rumo.



É verdade. Me satisfiz com muito pouco.

Preferi viver a vida, ao invés de passar por ela.

Briguei contra tudo que julgava errado...

Antes fosse o ‘certo’ algo correto.



Vi gente morrer e gente viver.

São muitas querências...

Muitas dormências,

Um deserto opaco no Sertão.



Seja qual for o tempo que me resta,

Foi sentado aqui, que pude perceber,

Que um pouquinho de tudo é um pedaço de mim.

Um inimigo de mim, tão próximo a mim.”



Véio Venâncio é assim...

No meio da prosa se despede e vai,

Ajeitando seu chapéu na testa.

E enquanto se vai em passos curtos,

Fico aqui mastigando seus pensamentos.



 24/03/2017

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