segunda-feira, 8 de agosto de 2011

UNIFORME


Seis da manhã. Tá na hora de acordar.
Você levanta com uma cara amassada
Após derrubar o despertador do criado
E, ainda, esquece a toalha ao entrar no banheiro.
Vai para mais um dia, fazer as mesmas coisas de ontem,
Fazendo políticas interpessoais para garantir o final do mês.
Tanta loucura comum que é insanidade não ser igual.

Uniforme. Uniformizado.
É muito mais do que uma camisa comum
Você faz tudo tão mecanicamente que se esqueceu de olhar o céu
E de se compreender como alguém único. Ú n i c o ! ! !

Seis da manhã, tá na hora de acordar.
Você levanta com o smartphone na mão
E avisa a todos na sua rede que já está de pé
Esquecendo de colocar a pasta na escova.
Na escola troca músicas e outras bobeiras por bluetooth
Enquanto tenta se manter online no melhor aplicativo de chat.
Tanta superficialidade comum que senso crítico é algo crítico.

Uniforme. Uniformizado.
É muito mais do que vestir algo comum.
Você vive na moda... de roupa ou intelectual
Mas quem afirmou que toda correnteza te leva há um abrigo seguro?

No final da tarde de domingo você arruma uma roupa legal,
Coloca nas mãos um livro que só lhe serve como acessório.
Ouve um monte de asneiras vindas do altar
E acredita que aquelas palavras fazem parte de um livro que carrega debaixo do braço.
É uma inércia mental tão generalizada que o raciocínio é um mal que passaram a chama-lo de diabo.

Uniforme. Uniformizado.
Quem precisa de roupas se temos a moral,
Em meio a pensamentos comuns e cada vez mais comuns.
Bêbados que classificam os sóbrios de dependentes químicos.

Liberdade não é uma simples palavra.
Senso crítico não é uma grife,
E será que você tem peito pra remar contra a maré
Sentindo câimbras que anestesiam seus sentidos?

A voz do povo nunca foi a voz de Deus.
A unanimidade é burra e você espera que eu acredite
Que achar que tudo é assim mesmo
É o melhor a fazer?
Uniformes fora do horário
Uniformes por todos os lados
Você os troca e nem percebe
Que o seu manequim já mudou faz muito tempo

Os bons são maioria, mas vivemos das consequências dos maus.
Já pensou a respeito disso?
Não adianta bondade com silêncio
E nem trocar idéias sem ter atitudes.

Nada muda se a gente não muda
E nesse mundo que se equilibra no caos,
Tirar esse uniforme é algo que você não vai arriscar
Afinal, você já se acostumou com as cores e esse cheiro.

São seis da manhã.
Acorda!

Riva Moutinho BH, 26/06/2011

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