sexta-feira, 19 de agosto de 2011

36


Se serão 36 eras que passarão
Na velocidade de 36 flashes,
Ou se aos 36 de um tempo perdido
Ainda contarei quantas vezes a mesmice repete; já não sei.

36 sóis sem nenhum pôr.
36 esferas que rolaram sem direção.
36 doses letais da mesma bebida.
36 lágrimas secas por noite.

Toda sorte tem um número
E talvez o azar dobrado seja mesmo 36.
Quem pode dizer tudo aquilo que nunca falei
Senão as 36 cartas escritas em 36 linhas?

36 luas que não encontro.
36 encontros que não deram em nada.
36 nadas que foram quase tudo.
36 razões para 36 desculpas.

O que dizer quando não se consegue entender
Que o simples é tão difícil de fazer,
Que o destino não conta seus segredos
E que somos bobos demais por acreditar em sorte.

36 canções que nunca cantei
Em meio as 36 chances que perdi por não estar ao seu lado.
São 36 relógios marcando o mesmo tempo
Em meio a três dúzias de restarts ignorados.

E no ano 36 ouvi solos de guitarras
Em 36 acordes que me fizeram sonhar:
Que apesar da brevidade da vida
Há muito tempo para amar.

36 pedaços de mim.
36 luares que não esqueci.
36 nebulosas sobre mim.
36 comprimidos.

Mesmo assim não há como entender essa lógica mundana
Onde a ordem precisa do caos pra ser importante,
Onde a cura necessita da dor pra mostrar seu valor,
E onde a saudade precisa chegar pra se perceber a falta.

Riva Moutinho, BH 07/08/2011

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