domingo, 26 de junho de 2011

A saga dos Kennedy

Uma família movida a ambição política, sexo, drogas e tragédias - essa é a história do clã mais famoso dos EUA, e isso explica por que a minissérie sobre ele foi vetada em seu país.

Cinco décadas após o declínio do clã mais poderoso dos EUA, a família Kennedy, as tentativas de retratá-lo em formato de entretenimento mais popular ainda são um tabu em seu país. Só isso explica a decisão do canal History Channel de cancelar a estreia da minissérie “Os Kennedys” no território americano, tendo investido a fortuna de US$ 30 milhões na produção – sua exibição acabou sendo feita por uma emissora sem prestígio junto aos espectadores. Alegou-se que o conteúdo do programa não se coadunava com o teor documental do canal, mas é possível que a decisão tenha sido tomada por motivos mais “diplomáticos”.

Longe dessas polêmicas, os brasileiros poderão assistir, a partir da segunda-feira 4 e pelo mesmo History Channel, à saga em oito capítulos dirigida por Jon Cassar, o homem por trás do sucesso do seriado “24 Horas” – e entender um pouco a razão do boicote.


Logo nos primeiros momentos da minissérie, o foco é direcionado para a relação nada tranquila entre o autoritário patriarca Joseph Kennedy (Tom Wilkinson) e seus filhos homens, especialmente o recém-eleito presidente, John F. Kennedy (Greg Kinnear). Frustrado em sua obsessão pelo poder, Joseph passa o cetro aos rebentos, mas os trata como marionetes. Não contava, contudo, com os efeitos colaterais da ambição, que ganham a tela na forma de escândalos e tragédias. Não chega a ser uma trama shakespeariana, mas rende bons momentos folhetinescos. Dividido entre as obrigações familiares e uma sexualidade descontrolada, John não se preocupa em esconder a infidelidade. Ciente das escapulidas do marido, Jacqueline Kennedy se refugia no vício de anfetaminas, arma usada contra suas angústias.

O papel de primeira-dama é vivido por Katie Holmes, a senhora Tom Cruise, que foi alvo de críticas impiedosas pelo viés “água com açúcar” de sua interpretação.
Os produtores, contudo, alegam que o tom foi proposital e que esse era o melhor jeito de mostrar o quanto Jackie estava despreparada para o tabuleiro de xadrez da Casa Branca.

Afora essa crítica, conta a favor da produção a incrível semelhança entre os atores e seus respectivos personagens. Cassar elogia, particularmente, o ator Barry Pepper, que interpreta Bobby Kennedy: “Ele realizou um intenso trabalho vocal e se esforçou para fazer o papel perfeitamente. Bastou uma semana de gravações para me flagrar ouvindo a voz de Barry, rápida e nasal como a de Bobby, na minha cabeça”, disse ele em uma entrevista coletiva à qual ISTOÉ teve acesso. Cassar lembra que durante os quatro meses de filmagens em Toronto, no Canadá, os atores usavam iPods para se familiarizar com o acento real das pessoas que interpretavam. Eles também assistiram a gravações e documentários nas etapas preparatórias. O mesmo vale para as figuras que gravitaram em torno dos Kennedy. Além da família, outros personagens históricos estão representados na minissérie, como a atriz Marilyn Monroe (Charlotte Sullivan) e o cantor Frank Sinatra (Chris Diamantopoulos). Por motivos estéticos, a clássica cena em que a loira canta “Parabéns a Você” no aniversário do presidente foi excluída na edição final do programa: “Foi a sequência que mais doeu o meu coração ao cortar. Ela deu muito trabalho, ficou linda, mas não se encaixou no episódio”, afirma Cassar.

A presença de Sinatra é garantida, já que é uma peça-chave para mostrar o envolvimento dos Kennedy com a máfia italiana – isso explica a inclusão, na trama, do gângster Gilormo “Sam” Giancana (Serge Houde), chefão do crime organizado de Chicago que ajudou JFK a derrotar Richard Nixon no Estado de Illinois e teria colaborado com a CIA nos planos de matar Fidel Castro na década de 1960.

Não por acaso, a trilogia “O Poderoso Chefão” serviu de modelo nessas passagens, como admitiram o roteirista Steve Kornish e o produtor executivo Joel Surnow. Cassar, contudo, pede cuidado nas comparações: “Nas primeiras reuniões, o filme com Marlon Brando foi citado, mas não acho que nos apropriamos do personagem”. Segundo o diretor, a razão do veto à sua minissérie deve-se ao lobby de pessoas poderosas ligadas à família Kennedy, mesma opinião da revista “The Hollywood Reporter”, que citou Caroline Kennedy, filha de John e Jackie, e Maria Shriver, sobrinha de John e ex-mulher de Arnold Schwarzenegger, como sendo algumas dessas figuras influentes.

Pior para o History Channel. O ReelzChannel, pequeno canal a cabo do grupo A&E, exibiu “Os Kennedys” em abril nos EUA e teve o episódio inicial visto por 1,9 milhão de espectadores, um recorde de audiência.

No Brasil, a minissérie também vai ao ar nos canais A&E e Biography.

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