sábado, 21 de maio de 2011

'Piratas do Caribe': um negócio de US$ 4,2 bi para a Disney

Piratas do Caribe nasceu pronto para o fracasso. Apesar dos grandes nomes que formavam o elenco e dos 140 milhões de dólares – cerca de 225 milhões de reais pelo câmbio atual – investidos pela Disney, em 2003 executivos do estúdio temiam que o filme afundasse tal qual um dos navios exibidos na fita. A temática de aventuras no alto-mar havia sido banida de Hollywood por razões justas – uma sucessão de amargas bilheterias, incluindo a de Piratas, do renomado e polêmico Roman Polanski. A própria ideia para o longa-metragem, derivada de um brinquedo do Disney World - fonte inspiradora do fracasso Ursos em Beary e os Ursos Caipiras -, não tinha muito apelo. Para piorar, um dos personagens principais do longa era um excêntrico capitão de dreadlocks, olhos pintados e trejeitos afeminados. Jack Sparrow, chegou a dizer um diretor da Disney, colocaria tudo a perder.

O resultado, nem os mais otimistas poderiam prever. O longa-metragem deu início a uma saga que quebraria recordes de bilheteria – ao todo, os três filmes da série arrecadaram 2,6 bilhões de dólares em todo o mundo, além de 1,6 bilhão em licenciamento de produtos, leia mais abaixo – e se transformaria num fenômeno cultural. E tudo isso graças, justamente, ao carisma daquele desacreditado protagonista. E, é claro, ao talento e à ousadia de Johnny Depp, que o colore com trejeitos de Keith Richards. E que recebe, com justiça, estimados 84 milhões de reais (ou 32 milhões de libras, segundo o jornal Daily Mail) apenas pelo quarto longa da série.


À parte as parcerias com o amigo Tim Burton (A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça e A Fantástica Fábrica de Chocolate, entre outras), esta foi a primeira experiência de Depp em um filme de orçamento superior a 100 milhões de dólares. O valor do projeto e sua ligação com um estúdio grande e tradicional não intimidaram o ator. Sorte de quem acompanha a série.

Franquia – O primeiro filme da saga tem um roteiro simples, mas eficiente – clique aqui para relembrar cada filme no infográfico especial sobre a série. Calcado na fórmula de ação e mistério, A Maldição do Pérola Negra conta a história de William Turner (Orlando Bloom), Elizabeth Swann (Keira Knightley) e Jack Sparrow (Johnny Depp). Ela é a filha do governador de uma colônia inglesa no Caribe e apaixonada desde infância por Will. Ele, um ferreiro que foi resgatado do mar quando criança, usa o tempo livre para testar suas habilidades com a espada. Juntos com o pirata malandro Jack Sparrow, o casal protagoniza lutas em alto-mar e em terra firme contra os desmandos do capitão Barbossa (Geoffrey Rush), um pirata amaldiçoado que, como a sua tripulação, assume a forma de uma monstruosa caveira sob a luz da lua.

Os efeitos especiais e os cenários paradisíacos são bons atrativos da série. No segundo longa-metragem, O Baú da Morte, Will Turner e Elizabeth Hurley são condenados à forca por ajudar na fuga de Jack Sparrow, o pirata mais procurado do Caribe. É quando entram em cena o inescrupuloso Lorde Beckett (Tom Hollander), a feiticeira misteriosa Tia Dalma (Naomie Harris) e o assustador capitão Davy Jones (Bill Nighy). O foco da trama é a procura de Sparrow pelo baú com o coração de Davy Jones. Quem encontrar o baú terá controle sobre o capitão e também sobre Kraken, monstro do mar que só Jones é capaz de libertar. O longa apresenta vários enredos paralelos e tem pouco mais de 2h30 de duração.

À medida que cresce o sucesso da saga, aumenta a duração de seus filmes. No Fim do Mundo, o terceiro da série, tem exaustivas 2h40 de ação. A maior parte de seus personagens é conhecida do público. Aqui, sob o comando do capitão Barbossa e do casal Will e Elizabeth, os marujos de Sparrow navegam até a terra dos mortos para resgatar a ele e a seu navio, o Pérola Negra. Enquanto isso, Lorde Beckett empreende uma caça aos piratas, que logo se unem para detê-lo. A boa nova fica por conta da participação do roqueiro Keith Richards, guitarrista dos Rolling Stones, no papel do pai de Jack Sparrow.

Richards volta a interpretar o capitão Teague no quarto filme da saga, Navegando em Águas Misteriosas, nos cinemas desde sexta-feira. A busca pela fonte da juventude é o mote da nova aventura de Sparrow, que desta vez contracena com a bela Penélope Cruz.

Bilheteria – Os números são impressionantes. O segundo filme da saga, O Baú da Morte (2006), quebrou dois grandes recordes de bilheteria. Logo no primeiro dia em cartaz, fez 55,5 milhões de dólares (cerca de 88 milhões de reais), ultrapassando a marca que um dia foi de Guerra nas Estrelas – A Vingança dos Sith, de George Lucas, que recolheu 50 milhões de dólares (cerca de 80 milhões de reais). E, ao longo do final de semana de estreia nos Estados Unidos, desbancou o Homem-Aranha, ao arrecadando 132 milhões de dólares (cerca de 212 milhões de reais).

No total, A Maldição da Pérola Negra (2003) amealhou 653 milhões de dólares (1,2 bilhão de reais) em todo o mundo. O Baú da Morte (2006) foi o de maior bilheteria, com 1,1 bilhão de dólares (2,2 bilhões de reais), seguido por No Fim do Mundo (2007), com 847 milhões de dólares (cerca de 1,3 bilhão de reais).

"Quando três filmes fazem 2,6 bilhões de dólares em todo o mundo, você logo entende a mensagem que o público está passando para você", declarou um orgulhoso (e endinheirado) produtor Jerry Bruckheimer em entrevista concedida durante o lançamento do quarto filme. "Os números são maravilhosos, mas o que é melhor ainda é que eles dizem algo sobre o que esses filmes significaram para o público. As pessoas se apaixonaram pelo gênero pirata novamente, depois de mais de três décadas, e com certeza se apaixonaram por Johnny Depp como Jack Sparrow."

Outra prova de que Bruckheimer tem razão: só em mercadorias, principalmente brinquedos, a franquia de Piratas do Caribe já rendeu aos cofres da Disney a marca de 1,6 bilhão de dólares (2,5 bilhões de reais), até fevereiro deste ano. O quarto filme, Navegando em Águas Misteriosas, chega aos cinemas sob a expectativa de mais cifras astronômicas. E o estúdio promete que vai continuar assim. Já contratou roteirista para o quinto longa da série, previsto para o fim de 2012.

[FONTE: Revista Veja]

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