quinta-feira, 4 de março de 2010

SOBRE ESPERTOS E MALDOSOS


É meia-noite.
Na penumbra da sala uma garrafa pela metade caída sobre o tapete.
Próximo a TV, um telefone fora do gancho.
Sobre a cama arrumada, Pierre dorme.

Reflexos fazem acreditar que ele está sonhando
Talvez seja um flashback de sua vida.
Talvez um sonho ruim.
O abajur quebrado parece levar a outra especulação.

No escritório uma única folha rabiscada sobre a mesa,
Enquanto Legião Urbana canta baixo no som.
No computador uma mensagem pisca na tela
E Pierre, resmungando, parece querer dizer algo.

Adultos, não ignorem os sonhos dos jovens
E nem muito menos desacreditem no amor que sentem.
O mundo não é tudo o que imaginamos
E nem as pessoas que nos cercam.

Aquela música não tocará novamente
E nem aquele tempo se apresentará como presente.
A porta está trancada
E um frasco de comprimidos cai, no chão, da mão de Pierre.

Mudaram o caminho sem deixarem escolhas.
O que sobrou são memórias.
E o ar já não está mais presente em Pierre.

Riva Moutinho 18/12/2007

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