terça-feira, 2 de setembro de 2008

Frejat aposta na diversidade em novo ábum solo


[FONTE: Jornal Estado de Minas]


"Não tenho a menor pretensão de acabar com o Barão, somos todos amigos"
(Frejat, cantor)

Boa praça, Roberto Frejat tem trânsito fácil na música brasileira. Com o Barão Vermelho, fez parcerias com artistas de sua geração como Nando Reis, Evandro Mesquita e Dulce Quental. Também na banda, compôs ao lado de Luiz Melodia, Raul Seixas, Waly Salomão, Gabriel, o Pensador e Chacal. Tal diversidade de parceiros acabou sendo levada para sua carreira, iniciada em 2001 com Amor pra recomeçar . Em seu terceiro álbum solo, Intimidade entre estranhos, o vocalista e guitarrista do Barão radicaliza, trazendo uma pá de co-autores para as 11 canções do álbum.

Se nos últimos anos – em 2003, lançou Sobre nós dois e o resto do mundo – ele intensificou sua produção com Mauro Santa Cecília, co-autor de várias das canções do álbum anterior, desta vez Frejat decidiu dividir o bolo. São cinco os novos parceiros: Paulo Ricardo (Controle remoto); Zeca Baleiro (Nada além); Zé Ramalho (Tua laçada); Gustavo Black Alien (Eu não quero brigar mais não); e Leoni (Intimidade entre estranhos). Compositores mais presentes em sua carreira não ficaram de fora: Alvin L divide com ele Fragmento; Santa Cecília comparece em O céu não acaba (com Ezequiel Neves); o single Dois lados, que também pode ser ouvida na trilha da novela Beleza pura (com Maurício Barros, produtor do disco); e Farol (que contou com a participação de Martha Medeiros).

Frejat comenta que nada foi programado. “Alguns me procuraram (como Paulo Ricardo) e outros (como Zeca Baleiro) fui eu quem pedi. A história com Zé Ramalho veio antes. Ele me pediu para fazer a letra para uma música do CD dele. Vergonhosamente, não consegui terminar a tempo, então vi que tinha que caprichar para colocá-la no meu disco”, conta. Quando Frejat chegou para gravar o álbum, tinha na manga 23 canções. No processo de exclusão, acabou registrando 14, mesmo sabendo que todas não entrariam (ele não gosta de discos longos, tanto que este não alcança os 40 minutos). As que ficaram de fora serão utilizadas de outras formas (conteúdo para celular, internet etc.).

Tal diversidade de parceiros refletiu-se, conseqüentemente, na sonoridade. A carreira solo de Frejat é marcada por canções suaves, com leve acento rock, quase monotemáticas (o amor, como está expresso nos títulos dos três álbuns). Intimidade entre estranhos traz esta característica, mas de forma mais diluída. Controle remoto, Nada além e a faixa-título poderiam estar em qualquer dos trabalhos anteriores de Frejat.

O disco cresce nas diferenças. Aberta com cello, Tua laçada tem um clima tristonho que cai muito bem com os versos “não é a estória que não foi contada/nem é o estranho sonho do qual despertei”. A música seguinte, Eu não quero brigar mais não, é bem mais solar, franca candidata a hit, com um bom encadeamento de letra e instrumentação. O disco segue com momentos ora mais inspirados (O céu não acaba, com bom solo de guitarra), ora menos, como Eu só queria entender, bela música com acento soul que perde (e muito) com uma letra que carrega no discurso ecochato. Disco curto, Intimidade entre estranhos traz uma surpresa em sua última faixa. Tudo de bom é um funk cuja levada parece herança de Tim Maia. “Quis terminar o disco pra cima, num clima de festa. Tem gente que achou que ele é o hit, por ser bem forte, mas eu não poderia colocá-la como primeiro single, para apresentar o trabalho, pois é muito diferente do resto do disco.”

“No primeiro disco tive mais dificuldade de levar para o palco as músicas que tinham sido produzidas pelo Max de Castro do que as feitas por Tom Capone e Maurício Barros. Não foi uma falha do Max, mas uma coisa natural do repertório. Tanto que, por isso, o lado elétrico se acentuou mais. Já a presença do violão o deixou mais parecido com o primeiro do que com o segundo CD”, acrescenta Frejat.

O hiato do segundo para o terceiro disco foi de cinco anos. A demora em colocar o álbum no mercado deveu-se a mais um retorno com o Barão Vermelho (neste ínterim, foi lançado o disco duplo Barão Vermelho – MTV ao vivo). Sete anos depois de iniciada a carreira solo, Frejat comenta que os fãs do Barão sabem distinguir o que é seu trabalho com a banda e o que não é. O mesmo vale para os integrantes do grupo. Tanto que dois deles (o baixista Rodrigo Santos e o percussionista Peninha) gravaram no disco. “Hoje, o público sabe que ninguém vai acabar com o Barão. Não tenho a menor pretensão disso, somos todos amigos”, diz ele, que, no entanto, não tem a mais vaga idéia de quando o grupo vai (novamente) voltar à ativa.

NA REDE

Todas as 11 faixas de Intimidade entre estranhos estão disponíveis para audição no MySpace. Vale lembrar que o conteúdo ficará disponível somente por uma semana. É só conferir a página criada para o lançamento: http://br.myspace.com/intimidadeentreestranhos. Os dois primeiros álbuns de Frejat foram lançados pela Warner. Este foi custeado pelo próprio Frejat e somente licenciado para a gravadora, que fica responsável pela divulgação e distribuição. Desta maneira, ele está mexendo os pauzinhos para o novo formato da música. Seu escritório conta com uma pessoa responsável pelo conteúdo na rede. O clipe de Dois lados, por sinal, está disponível no YouTube.

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