quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Israel prepara exibição online dos Manuscritos do Mar Morto

[FONTE: Estadão]

JERUSALÉM - Em um laboratório lotado e pintado de cinza, frio como uma caverna, meia dúzia de especialistas embarcaram, nesta semana, em um ato histórico: fotografar digitalmente cada um dos milhares de fragmentos dos Manuscritos do Mar Morto com o objetivo de tornar o arquivo completo - um dos documentos mais examinados do mundo - disponível para download na internet.

Equipados com poderosas câmeras que produzem imagens de grande resolução e lâmpadas que não emitem nem calor nem raios ultravioleta, os cientistas e técnicos estão desvendando setores antes ilegíveis, descobertas que podem ter um impacto significativo.

Os manuscritos de dois mil anos, encontrados na década de 1940 nas cavernas próximas ao Mar Morto em Jerusalém, contêm as cópias mais antigas já encontradas de todos os livros da Torá (exceto do Livro de Esther), assim como textos apócrifos e descrições de rituais dos judeus na época de Jesus Cristo. Os textos, a maior parte em peles mas alguns, em papiros, datam do terceiro século antes de Cristo ao primeiro século depois de Cristo.

Apenas uma pequena parte dos manuscritos existe em pedaços grandes, diversos deles em exibição permanente no Museus de Israel. A maior parte deles foi encontrada em 15 mil pedaços que totalizam 900 documentos, gerando diversas discussões sobre como ordenar as partes de maneira correta, assim como sobre a origem e significado do que está escrito neles.

A história contemporânea dos manuscritos também é tortuosa, porque eles estão entre as fontes mais importantes de informação sobre os judeus e o início da cristandade. Após sua descoberta inicial eles foram mantidos em um pequeno círculo de acadêmicos. Nos últimos 20 anos o acesso aos documentos aumentou significativamente, e em 2001 eles foram publicados na íntegra. Mas o debate ao seu redor apenas aumentou.

Acadêmicos pedem continuamente à Autoridade Israelense de Antiguidades, mantenedora dos manuscritos, acesso aos documentos, e museus de todo o mundo querem usá-los em suas exposições. No próximo mês, o Museu Judaico de Nova York vai iniciar uma exposição com seis dos manuscritos.

Os detentores dos manuscritos, pessoas como Pnina Shor, chefe do departamento de conservação de antiguidades, estão satisfeitos com tamanho interesse, mas argumentam que cada vez que os manuscritos são expostos à luz, umidade ou calor, eles se deterioram. Ela diz que mesmo sem essa exposição eles estão se deteriorando porque a tinta usada em alguns dos manuscritos, assim como as fitas adesivas usadas por acadêmicos na década de 1950, estão grudando os pedaços.

A coleção inteira foi fotografada apenas uma vez até agora - em 1950, usando infravermelho - e essas fotografias estão guardadas em uma sala de temperatura controlada porque mostram coisa que já se perderam dos manuscritos. Essas fotos também serão digitalizadas.

Esse processo levará de um a dois anos - ainda mais até chegar na web - e está sendo liderado por Greg Bearman, cientista aposentado do Jet Propulsion Laboratory da Nasa.

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