quinta-feira, 21 de junho de 2007

O LEÃO, A PASTORA E O GUARDA-ROUPA



"Saímos para a ministração às 16h. Me vesti de acordo com o que o Espírito colocou em meu coração. Um vestido de veludo azul que comprei há mais de 10 anos no Seminário em Dallas. Um cinto preto largo com “cara” de autoridade. Botas pretas, assim como na última viagem em Florianópolis, com essa mesma mensagem de força, poder, autoridade, e conforto necessário para pular e pisar com força, profeticamente, na cabeça do diabo. Meu cabelo, cacheado, restaurado como no princípio. Meus brincos comprados em Israel, e o anel com a pedra ametista que ganhei quando eu nasci. Olhei para mim mesma no espelho e vi uma guerreira.

Tivemos um tempo de oração precioso no camarim atrás do palco. Foi interessante o peso espiritual que queria vir sobre nós. Todos se levantaram e resistiram. E foi contagiante a alegria que nos encheu. Senti como se em meu corpo minhas forças estivessem sendo sugadas, sem forças para respirar fundo, muito menos cantar. Mas no meu coração havia confiança de que tudo iria se romper.

O CTM ministrou e foi muito bom. É tremendo para mim ver esta nova geração, em especial a Marine, em quem tenho acreditado e investido. Depois deles comecei, e instante após instante senti a direção do Espírito me guiando e dando as palavras certas, as melodias espontâneas, a unidade entre a equipe. Ainda que muitas vezes me esforçasse, rompendo pela fé, agindo com força, sentindo fraqueza.

As pessoas estavam totalmente abertas, sedentas, participando, cantando tudo. O evento foi no estacionamento da Uni Evangélica, que mais tarde fique sabendo que é ultra tradicional. Graças a Deus não me disseram isso antes, e não me intimidei em nada.

Quando a Helena ministrou “Lugares altos” trouxe uma palavra sobre Joás e Eliseu, e o episódio da “Flecha da vitória do Senhor”. Mal podia imaginar que o Senhor estava ministrando a intensidade e a fé no ato profético, que eu iria precisar mais à frente.

Houve um momento em que fez um “clique”. Uma mudança na atmosfera. Depois da música “Manancial” comecei a receber palavras proféticas em meu coração para liberar sobre as cidades de Goiás ali representadas. Foi muito forte. A música acompanhou. Nunca antes havia visto os músicos, especialmente o Bruno na bateria, e o teclado, que agora é tocado pelo Vinícius, com tanta unção, poder e unidade. Recebi a direção de palmas. A multidão ia junto comigo, quando de repente a Zê chegou perto de mim e disse que estava vendo o Leão, com os pés em fogo, ali no palco. O poder de Deus era palpável, e as palavras proféticas continuaram. Um cântico espontâneo sobre o Cordeiro e o Leão marcou para sempre a minha vida. E a unção de autoridade foi ministrada sobre nós, sobre a Igreja de Anápolis. De um estado de fraqueza, passamos à força. De intimidação à ousadia. Ao mesmo tempo em que nos levou a um refrigério e descanso que como ovelhas do Sumo Pastor podemos experimentar.

De repente, começamos a celebrar, mas foi diferente. Eu saltava e parecia que estava em um trampolim, uma cama elástica. Se antes pulava para romper, agora eu me sentia voando, pulando muito alto, minhas pernas esticadas iam alto, ao menos essa era a sensação, mas depois outras pessoas confirmaram. O vento nos meus cabelos e a sensação era de pulos muito altos. Eu sabia que algo diferente estava acontecendo. Quando pulei uma última vez, senti que era para me assentar. Não sabia se teria forças para me levantar outra vez. Foi quando senti o impulso, me agachei e comecei a andar como o Leão.

Pensamentos vieram à minha mente. Eu disse ao Senhor: “É… agora a minha reputação acabou. Agora vou ver quem vai ficar comigo”. Mas prossegui, consciente do que estava acontecendo, e senti a direção até mesmo de onde eu deveria ir.

Quando parei, não sabia como ou que fazer ao me levantar. Ainda no chão, me ergui de meio corpo e gritei: “Um brado de vitória ao Senhor”, (sem saber se alguém responderia), e o som foi poderoso. A música terminou grandiosamente. Era o Leão da Tribo de Judá."

(relato da Ana Paula Valadão no blog do Diante do Trono s/ a ministração ocorrida em Anápolis)

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O LEÃO, A PASTORA E O GUARDA-ROUPA
Comentado por Riva Moutinho

Abaixo expresso, apenas, algumas das minhas opiniões com relação a este relato-texto.
Lendo o primeiro parágrafo me lembrei de Davi. Aquele menino ruivo que cuidava das ovelhas e que passava o dia inteiro no pasto. Certo dia o exército de Israel estava sendo afrontado por um gigante que zombava deles e de Deus. Davi viu aquilo, se irou e sem pestanejar decidiu ir contra aquele gigante. Ninguém pôs fé no menino e o rei Saul só aceitou, porque não tinha nenhum outro candidato. Então decidiram colocar o guarda-roupa-para-guerra-de-Israel em Davi. Sem chance. Davi iria do jeito dele, com as roupas dele, com a arma dele. E isso porque Davi sabia que não eram as roupas, as armas e nem muito menos ele próprio, mas Deus que possuía todo o poder. Só Deus era capaz de derrotar Golias. Assim Davi derrotou-o com uma pequena pedra que cravou na testa de Golias.

Lembrei-me de Elias. Profeta caminhante e ouvinte da voz de Deus. Certa vez se reuniram um monte de profetas de outro deus e Elias propôs um desafio. Haveria dois altares, com dois holocaustos, o Deus que mandasse fogo dos céus e consumisse o holocausto, seria o Deus verdadeiro. E juntou aqueles 400 profetas de Baal e clamaram quase o dia inteiro para que o seu deus consumisse o holocausto. Elias foi irônico: “Gritem mais alto, pode ser que o seu deus esteja dormindo.” Nada aconteceu e Elias se levantou para clamar ao seu Deus. Pediu que jogassem muita água sobre o holocausto de maneira que escorreu e encheu uma vala que ficava em volta. Elias não precisou de roupas especiais para se sentir preparado, nem de palavras cultas, ou até mesmo de algum tipo de encenação artística. Ele sabia que o poder emanava de Deus e não dele, por isso sua oração simples e sincera fez Deus mandar fogo e queimar todo o holocausto e secar toda a água.

Estas, no entanto, são histórias bíblicas. Tem ação de Deus e consciência nos homens. Mas lembrei-me de uma estória. Aquela da senhora que diariamente perguntava ao seu espelho mágico quem era a mais bela do reino. Imaginem: Ah! espelho, espelho meu. Existe alguém mais preparada para a batalha do que eu? Veja. O anel que encontrei perdido no Monte das Oliveiras, o brinco que lavei nas águas do Rio Jordão, o colar que era da ancestral da minha bisavó índia, o colete que ganhei de um senador americano e que foi usado por um soldado americano na Guerra do Kuwait e ainda tem este novo visual do meu cabelo que fiz com uma descendente dos Maias em quase 10 horas de salão. E o espelho responde: Sim minha guerreira. Não há ninguém mais preparada do que você.

(Pra economizar espaço, não vou falar sobre os parágrafos 2 e 3.)

Outro ponto interessante está no quarto parágrafo, quando ela diz que não ficou sabendo que o local onde estava sendo realizado o evento pertencia a uma instituição muito tradicional e por causa disso conseguiu ministrar a palavra tranqüila. Eu poderia citar uma gama de personalidades bíblicas, mas vou me prender apenas a Paulo que ousadamente falou de Cristo aos homens de seu tempo e enfrentou reis, sacerdotes e o próprio povo. Ele disse em II Coríntios “servimo-nos de muita ousadia no falar.” Em Efésio 3:12 ele novamente diz: “temos ousadia e acesso com confiança, mediante a fé nele.” No mais é só ler as cartas de Paulo, conhecer sua vida, sua caminhada. Notará que Paulo poderia ser preso, apanhar, expulso ou até mesmo morto. Ousadamente ele falaria a Palavra, pois era o Espírito Santo que o impelia.

(E não vou falar sobre o parágrafo 5 também)

No parágrafo 6 a chave seletora muda: é um clique e pela primeira vez no mundo um ser-humano apalpa o poder de Deus. A palavra ousadia recebe um novo significado. E a pastora caminha como um leão... e como um cavalo, cachorro, zebra, rinoceronte, girafa... afinal todos têm quatro patas.

Os dois últimos parágrafos são curiosos. No penúltimo ela sabe exatamente a direção que deveria percorrer andando de quatro e no último surta o antagonismo; ao parar ela não sabia o que fazer. Então fez o que era mais comum: gritou.
Assim a música que finaliza é a música do leão (que não é o de Judá), mas é o mesmo visto pelo Zé e o mesmo pretensamente imitado por ela.

No mais, creio que Freud teria uma opinião muito melhor que a minha.

BH 21/06/2007

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