terça-feira, 5 de abril de 2016

ARREBOL

Ferve o caldeirão no fogão à lenha de Dona Sofia.
Pareço que vivo histórias que meus avôs contariam,
Próximos a uma lareira,
Numa noite escura e fria.

Veja a que pontos chegamos:
Discutem ética deturpando a verdade,
Ou deturpam a ética estuprando a verdade,
Ou somos todos um bando de bocós.

A quem interessa a ignorância?
Quanto se lucra com ela?
O nirvana do Poder...
A estupidez de todo ser.

Somos todos iguais assim:
Debatemos o que perdemos,
Ao invés de planejarmos o que queremos.
Um mórbido ciclo a caminho do fim.

Tome a hóstia da purificação,
No fim, o que se quer mesmo
É apenas mais uma dose
Da doce ilusão da autojustificação.

Pobres plebeus que sonham utopias.
São nobres guerreiros, anônimos na História.
Pobre burguesia que troca dinheiro por poder
E não percebem que a degradação está no ser.

Tempo, para se discutir o elementar,
Enquanto traças corroem a honra.
Senhores das trevas de uma guerra sem par.
Silenciosa e triste; uma grande Matrix.

Mas entre os muitos dormentes,
Transforme a indignação que sente
Em uma força que te leve a ver,
Que a tão sonhada mudança
Vai exigir mais de você
Do que de qualquer outro ser.

BH 19/03/2016

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