segunda-feira, 11 de junho de 2012

Programação do FIT contempla produções que discutem a relação entre teatro e cinema

Na edição que tem entre seus conceitos a ideia de fronteira, as artes cênicas não são protagonistas exclusivas do Festival Internacional de Teatro Palco e Rua de Belo Horizonte, o FIT-BH. Além de ocupar palcos, praças e ruas da cidade até o dia 24, salas de cinema – e até mesmo telas ao ar livre – abrigarão a mostra Cine FIT.

Foi a partir da provocação de como a relação entre o cinema e o teatro aparece nas telas que o curador Ricardo Alves Jr. pautou a escolha dos 21 filmes que compõem a grade. “A programação constrói um diálogo entre as artes. Além de três espetáculos terem relação direta com o cinema (Estamira, Depois do filme e O idiota), pensamos em trazer filmes que discutissem a mises-en-scène teatral”, explica. 


O Cine FIT pode ser dividido em duas partes. De hoje até o próximo domingo, dia 17, o telão do projeto Cinearte Sarau exibirá, em oito regionais de Belo Horizonte, o longa O palhaço, dirigido por Selton Mello. “Acreditamos que a rua é um lugar para todas as idades. Avaliamos que O palhaço é um dos grandes filmes brasileiros com capacidade de relação direta com o público”, avalia Ricardo Alves Jr. A sessão ao ar livre e com entrada franca será sempre às 20h.  

A partir do dia 18, o Cine FIT se transfere para o Cine Humberto Mauro, onde entrarão na programação longas de Portugal, Japão, Itália, Taiwan, Chile, Polônia e Estados Unidos, além de duas produções franco-belgas e uma co-produção entre Brasil, Inglaterra e Suíça. Os filmes selecionados também pontuam a discussão sobre as fronteiras. Um dos bons exemplos dos limites entre ficção e realidade é Estamira – Beira do mundo, monólogo da atriz Dani Barros, dirigido por Beatriz Sayad.

A inspiração da peça veio da personagem Estamira, trabalhadora do lixão de Jardim Gramacho (RJ), retratada pelo cineasta Marcos Prado no documentário Estamira. “Foram muitas noites de insônia pensando: ‘como eu vou fazer essa mulher? Ela já é incrível, o filme é perfeito, já está lá, como vou colocar isso no palco, sem Gramacho?’. Foi muito trabalho. Foi um processo que durou entre janeiro e outubro do ano passado”, lembra a atriz.

Apesar da fidelidade da peça ao filme, é curioso observar as duas obras de arte, justamente para perceber as sutilezas dos criadores de cada uma das linguagens. No caso da peça, chama atenção não só a interpretação de Dani Barros, que é impressionante, mas também a forma como ela se apropriou da narrativa, seja na forma de falar ou no conteúdo expresso pela personagem real.

“Também me exponho na peça. Não faria muito sentido colocar só a Estamira, porque tinha muitas coincidências que ligavam nossas vidas. Quando vi o filme, identifiquei nele coisas que gostaria de dizer há muito tempo”, recorda a atriz. A obra de Marcos Prado serviu como ponto de partida para o processo de construção da dramaturgia teatral. “Fizemos um trabalho de desmembrar o filme. Montamos uma maquete com as cenas e fomos pegando os trechos da Estamira que a gente mais gostava. Assim percebemos que a poesia e as profecias dela são tão bonitas que outros personagens ficariam sem lugar”, detalha.

Dani Barros conheceu Estamira pessoalmente em fevereiro de 2011, quatro meses antes da morte dela e oito meses antes da estreia da montagem. Os encontros com a catadora de lixo também influenciaram a escrita do texto, que inclui trechos de obras de artistas como Nuno Ramos. “Assisti muito ao filme, mas houve um momento em que tive que parar para ter um pouco mais de liberdade e não ficar muito do jeito dela”, conta. Estamira, o filme, será exibido no Cine FIT, dia 23, às 20h. Os ingressos para a peça já estão esgotados.

[FONTE: Divirta-se do Portal Uai]

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